Pornografia e violentografia: uma análise crítica da relação entre dois gêneros a partir do exemplo da narrativa do feminicídio
Palabras clave:
Estética da violência, Feminicídio, Pornografia, Representação narrativa, ViolentografiaResumen
O artigo investiga a assimetria na avaliação social da pornografia e das representações de violência — chamadas aqui de violentografia — com base em narrativas literárias contemporâneas. Após uma delimitação conceitual, propõe-se uma comparação sistemática entre os dois gêneros. A partir da análise de obras como As Mil e Uma Noites, Eva Luna, de Isabel Allende, 2666, de Roberto Bolaño e Mulheres Empilhadas, de Patrícia Melo, examina-se como atos sexuais e violentos são estruturados narrativamente, mediados esteticamente e enquadrados eticamente. O texto defende uma abordagem crítica e destabuizante das duas formas de representação. Destaca-se, sobretudo, como a narrativa literária de feminicídios levanta questões centrais sobre representação, voyeurismo e julgamento moral. O conceito proposto de “violentografia” funciona como contrapeso teórico ao discurso já estabelecido sobre “pornografia”.
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