A violentografia na literatura brasileira: uma breve história da presença da violência nas narrativas literárias

Autores

Palavras-chave:

Literatura Brasileira, Violência, Violentografia

Resumo

Este trabalho propõe analisar a violentografia na literatura brasileira como eixo para uma historiografia literária. O termo, cunhado por Markus Schäffauer (2015), refere-se à representação da violência nas artes, evidenciando estruturas de poder e opressão. Na literatura brasileira, a violentografia revela a violência como componente histórico e social. Faz-se aqui um breve apanhado das obras literárias narrativas, do Naturalismo à contemporaneidade, observando como diferentes períodos exploraram a violência. No século XIX, essa temática surge nas representações das desigualda

Este artigo analisa a violentografia na literatura brasileira como eixo para uma possível historiografia literária, a partir do conceito formulado por Markus Schäffauer (2024), que compreende a violência como forma de representação artística e social. O estudo percorre obras do Naturalismo à contemporaneidade, evidenciando como a violência se manifesta de modo recorrente e estrutural na produção literária nacional. São analisados textos de Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Renato Tapajós e Patrícia Melo. Observa-se que, no século XIX, a violência está associada às desigualdades urbanas; no século XX, às tensões rurais e aos regimes autoritários; e, na contemporaneidade, à experiência cotidiana nas cidades. Conclui-se que a violentografia constitui um elemento fundamental da formação social e literária brasileira.

des sociais nas cidades em expansão. No século XX, evidencia-se nas tensões do meio rural, nas ditaduras e nos centros urbanos. Na contemporaneidade, a violência aparece como experiência cotidiana e estrutural.

Biografia do Autor

Natália Lima Ribeiro, Universität Hamburg

Mestra em Letras pela Universidade Federal do Pará – UFPA

Doutoranda em Letras pela Universität Hamburg

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Publicado

30.06.2025

Edição

Seção

ST: Dossiê - Pornografia e violentografia na literatura e na cultura brasileira: trânsitos e interseções