Chamada aberta para envio de artigos: Dossiê - Arte, cultura, bioeconomia e sustentabilidade: ecologias do saber, território e educação ambiental

30.01.2026

A presente edição temática da Revista Científica Sigma propõe-se a reunir reflexões interdisciplinares acerca das relações entre arte, cultura, bioeconomia e sustentabilidade, em um contexto histórico marcado por profundas transformações socioambientais e pelo agravamento das crises climáticas globais. A Sigma (ISSN 1980-0207), Qualis B3, mantida pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá (IESAP), disponível em: https://iesap.edu.br/ojs/index.php/sigma, convida a comunidade acadêmica nacional e internacional a submeter artigos científicos para eventual publicação no Dossiê intitulado "Arte, cultura, bioeconomia e sustentabilidade: ecologias do saber, território e educação ambiental", organizado pelo Prof. Dr. Thiago Azevedo Sá de Oliveira (IESAP).

A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), ocorrida no Brasil, conferiu centralidade inédita ao país — e, especialmente, à Amazônia — nos debates internacionais sobre meio ambiente, justiça climática e desenvolvimento sustentável. Tal evento reafirmou o protagonismo brasileiro na construção de alternativas que conciliem preservação ambiental, valorização cultural e desenvolvimento socialmente justo.

Nesse cenário, o dossiê ancora-se na concepção ampliada de ecologia formulada por Josué de Castro, especialmente em Geografia da Fome (1946/2006) e Homens e Caranguejos (1967/2001), obras nas quais o autor demonstra, de forma pioneira, que a degradação ambiental, a fome e a miséria são expressões de um mesmo processo histórico de exclusão social. Sua leitura pioneira antecipa debates contemporâneos sobre sustentabilidade, justiça socioambiental e bioeconomia crítica.

Em diálogo com essa perspectiva, o dossiê articula contribuições de autores contemporâneos que aprofundam a compreensão das relações entre cultura, território e desenvolvimento sustentável. Enrique Leff, em Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder (2015), propõe a superação do paradigma econômico hegemônico por meio de uma racionalidade ambiental plural. Ignacy Sachs, em Caminhos para o desenvolvimento sustentável (2009), formula o conceito de ecodesenvolvimento, articulando crescimento econômico, justiça social e prudência ecológica.

As reflexões de Boaventura de Sousa Santos, especialmente em O fim do império cognitivo (2019), contribuem para o reconhecimento das epistemologias do Sul e dos saberes historicamente marginalizados. Já Carlos Walter Porto-Gonçalves, em A globalização da natureza e a natureza da globalização (2017), evidencia as disputas territoriais e políticas que atravessam os debates ambientais. Vandana Shiva, em Quem realmente alimenta o mundo? (2016), problematiza a mercantilização da vida e defende modelos sustentáveis baseados na soberania alimentar e na biodiversidade. Por sua vez, Arturo Escobar, em Designs for the Pluriverse (2018), propõe a noção de pluriverso como alternativa ao desenvolvimento hegemônico, valorizando múltiplas formas de existência e organização social.

Nesse contexto, a educação ambiental assume papel central, não apenas como prática pedagógica, mas como dimensão formativa essencial à construção de uma consciência crítica, ética e cidadã, capaz de promover práticas sustentáveis, valorização dos saberes tradicionais e engajamento social frente às urgências ambientais contemporâneas.

Ao reunir pesquisas, ensaios e experiências alinhadas a essas perspectivas, a Revista Científica Sigma reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento crítico, interdisciplinar e socialmente referenciado, contribuindo para o fortalecimento do debate acadêmico em um momento histórico marcado pelos desafios e oportunidades evidenciados no contexto pós-COP 30.

 

Referencias Teóricos

CASTRO, Josué de. Geografia da fome: o dilema brasileiro – pão ou aço. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. (Edição original: 1946).

CASTRO, Josué de. Homens e caranguejos. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001 (Edição original: 1967).

ESCOBAR, Arturo. Designs for the pluriverse: radical interdependence, autonomy, and the making of worlds. Durham: Duke University Press, 2018.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.

OLIVEIRA, Thiago Azevedo Sá de. O leitor verá... o itinerário da obra literária de Josué de Castro. 2019. Tese (Doutorado em Letras) — Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Pará, Belém, 2019.

PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A globalização da natureza e a natureza da globalização. 6. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.

SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

SHIVA, Vandana. Quem realmente alimenta o mundo? Petrópolis: Vozes, 2016.

 

Prazo para recebimento dos manuscritos: 30 de abril de 2026.

Previsão para publicação do número: 30 de junho de 2026.

 

Organizador:

Prof. Dr. Thiago Azevedo Sá de Oliveira (IESAP)